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Triquíase: Quando os Cílios Crescem na Direção Errada

out 20,2025
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Triquíase

A triquíase é o crescimento de um ou mais cílios em direção ao globo ocular, em vez de para fora, como o normal. O atrito constante com a córnea pode causar desde irritação leve até lesões permanentes, dependendo de quanto tempo o problema fica sem tratamento.

O que é triquíase, na prática

Diferente do entrópio — onde a pálpebra inteira vira para dentro —, na triquíase a posição da pálpebra é normal, mas os folículos individuais dos cílios crescem na direção errada. Pode afetar um único cílio isolado ou múltiplos cílios ao longo da margem palpebral.

Principais causas

  • Blefarite crônica: inflamação persistente da margem palpebral que altera a direção de crescimento dos folículos.
  • Tracoma: infecção por Chlamydia trachomatis que cicatriza a pálpebra por dentro — causa importante em regiões endêmicas.
  • Cicatrizes por trauma, queimadura ou cirurgia prévia: alteram o direcionamento dos folículos ciliares.
  • Herpes zoster ocular e síndrome de Stevens-Johnson: podem deixar cicatrizes palpebrais que afetam o crescimento dos cílios.
  • Envelhecimento: alterações naturais na margem palpebral também podem redirecionar o crescimento.

Sintomas mais comuns

  • Sensação constante de corpo estranho ou areia no olho
  • Vermelhidão e lacrimejamento
  • Fotofobia (sensibilidade à luz)
  • Piscar excessivo e irritação que piora ao piscar
  • Visão borrada, em casos com dano corneano mais extenso

Complicações se não tratado

O atrito repetido do cílio contra a córnea pode causar erosões e úlceras corneanas, cicatrizes, infecções e, em casos avançados, astigmatismo irregular ou perda visual permanente por dano à córnea.

Diagnóstico

Feito com lâmpada de fenda, avaliando a direção de crescimento de cada cílio afetado e o grau de dano à superfície ocular (muitas vezes com coloração por fluoresceína). A causa subjacente também é investigada, já que ela muda a estratégia de tratamento — cicatriz por trauma responde diferente de blefarite crônica ativa, por exemplo.

Opções de tratamento — e o que a evidência mostra sobre cada uma

A escolha depende do número de cílios afetados, se o padrão é isolado ou difuso, e da causa de base:

  • Epilação mecânica: primeira linha para poucos cílios isolados. Alívio imediato, mas os cílios costumam voltar a crescer em poucas semanas — geralmente na mesma direção errada — exigindo repetição.
  • Eletrólise: destrói o folículo com corrente elétrica, cílio por cílio. Indicada para poucos cílios localizados; a literatura registra taxas de sucesso mais modestas nessa técnica isoladamente, o que costuma exigir mais de uma sessão.
  • Crioterapia: congela a área com múltiplos folículos afetados. Mais indicada para casos difusos, mas carrega risco de despigmentação da pele ao redor e perda de cílios saudáveis adjacentes.
  • Ablação a laser (argônio): taxas de sucesso relatadas na literatura variam bastante — de cerca de metade dos casos após uma sessão a taxas bem mais altas após sessões repetidas.
  • Cirurgia: para casos graves, recorrentes ou com cicatriz extensa — ressecção do bordo palpebral, rotação da margem ou enxertos de mucosa, conforme a arquitetura da pálpebra.

Na prática, é comum combinar técnicas: por exemplo, epilação para alívio imediato enquanto se planeja um tratamento definitivo para a causa de base.

Cuidados e recuperação

Após epilação: retorno imediato às atividades; uso de lubrificantes oculares recomendado.
Após procedimentos definitivos: antibiótico/anti-inflamatório tópico conforme prescrição, evitar coçar os olhos e usar óculos de sol nos primeiros dias.

Perguntas frequentes

Arrancar o cílio em casa resolve o problema?
Alivia o sintoma temporariamente, mas o cílio tende a voltar a crescer na mesma direção em poucas semanas — sem tratar a causa, o ciclo se repete. Além disso, arrancar sem instrumento adequado pode machucar a margem palpebral.

Triquíase sempre precisa de cirurgia?
Não. Casos com poucos cílios isolados costumam responder bem a epilação, eletrólise ou crioterapia. A cirurgia fica reservada para casos difusos, recorrentes ou com componente cicatricial importante.

Triquíase pode voltar depois do tratamento?
Sim, é uma característica da condição — mesmo técnicas definitivas como crioterapia e laser têm taxas de recorrência descritas na literatura, o que às vezes exige mais de uma sessão ou retoque.

É perigoso deixar sem tratar?
O atrito constante pode causar erosão e, com o tempo, cicatriz na córnea — por isso o acompanhamento oftalmológico é recomendado mesmo em casos leves.

Quando procurar um especialista

  • Sensação persistente de corpo estranho no olho
  • Cílios visivelmente voltados para dentro
  • Vermelhidão, lacrimejamento ou dor que não melhora
  • Qualquer sintoma que piora progressivamente

Sobre a especialista

Este conteúdo foi escrito pela Dra. Marina Conti (CRM-SP 168967, RQE 84764), oftalmologista com Residência em Oftalmologia e Fellowship em Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbita pela UNIFESP – Escola Paulista de Medicina. Atende em oculoplástica na Clínica La Vue, nos Jardins, São Paulo.

Saiba mais sobre o tratamento de triquíase com a Dra. Marina Conti.

Fontes e leitura adicional

Sobre Autor

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Meu nome é Marina Conti, sou médica oftalmologista especializada em Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbita.

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