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Entrópio: Causas, Diagnóstico e Tratamento

ago 06,2026
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Ilustração comparando pálpebra inferior normal e pálpebra com entrópio virada para dentro.

O entrópio é a inversão da pálpebra — a margem palpebral e os cílios se enrolam para dentro, em direção ao olho. Diferente da triquíase (onde só os cílios estão mal direcionados), no entrópio é a pálpebra inteira que muda de posição, o que costuma causar sintomas mais intensos e persistentes.

O que é entrópio, na prática

Com a pálpebra virada para dentro, os cílios e até a pele externa da margem palpebral passam a atritar diretamente a córnea e a conjuntiva a cada piscada. É o oposto do ectrópio (pálpebra virada para fora) — os dois são comuns com o envelhecimento, mas exigem correções cirúrgicas opostas.

Principais causas

  • Entrópio involucional (a forma mais comum): ligado ao envelhecimento — combina frouxidão horizontal da pálpebra, desinserção dos retratores do músculo que estabiliza a pálpebra inferior, e sobreposição do músculo orbicular. Esses três mecanismos juntos “empurram” a margem palpebral para dentro.
  • Entrópio cicatricial: cicatrizes na conjuntiva (por trauma, queimadura química, cirurgias prévias ou doenças inflamatórias crônicas) encurtam a lamela posterior da pálpebra e a puxam para dentro.
  • Entrópio espástico (agudo): geralmente temporário, desencadeado por espasmo do músculo orbicular durante um quadro de irritação ocular aguda — costuma resolver junto com a causa de base.
  • Entrópio congênito: raro, presente desde o nascimento.

Sintomas mais comuns

  • Sensação de corpo estranho ou areia no olho, constante
  • Vermelhidão e lacrimejamento
  • Fotofobia (sensibilidade à luz)
  • Piscar excessivo, na tentativa de aliviar o desconforto
  • Em casos avançados, dor e visão borrada por dano à córnea

Complicações se não tratado

O atrito constante da margem palpebral e dos cílios contra a córnea pode causar erosões, úlceras e cicatrizes corneanas — com risco de comprometimento permanente da visão nos casos mais avançados e prolongados.

Diagnóstico

O exame é clínico, avaliando a posição da pálpebra em repouso e sob manobras específicas (como pedir ao paciente para fechar os olhos com força, o que pode evidenciar um componente espástico). A frouxidão horizontal é avaliada com os mesmos testes de tração usados no ectrópio, o que ajuda a definir a técnica cirúrgica mais adequada.

Tratamento cirúrgico: qual técnica é indicada

A escolha depende do mecanismo predominante:

  • Pontos de Quickert (everting sutures): técnica rápida, pouco invasiva e de baixo custo, usada principalmente em entrópio espástico ou casos iniciais. É considerada temporizadora em muitos casos: a literatura registra taxas de recorrência relativamente altas quando usada isoladamente como tratamento definitivo.
  • Reinserção dos retratores da pálpebra inferior: aborda diretamente um dos mecanismos do entrópio involucional, reconectando cirurgicamente a estrutura que se soltou.
  • Tira tarsal lateral (a mesma técnica usada no ectrópio): corrige a frouxidão horizontal quando esse é o componente predominante — muitas vezes combinada com a reinserção dos retratores para tratar os dois mecanismos ao mesmo tempo.
  • Correção do componente cicatricial: em casos com cicatriz na conjuntiva, pode ser necessário enxerto de mucosa para alongar a lamela posterior antes de reposicionar a pálpebra.

Procedimentos combinados (retratores + tira tarsal) tendem a apresentar menor recorrência do que técnicas isoladas, segundo revisões da literatura oftalmológica.

Recuperação

Primeiros dias: inchaço e equimose leve são esperados.
Primeira semana: evitar esforço físico e atrito nos olhos.
Resultado final: avaliado nas primeiras semanas, com estabilização completa em 4 a 6 semanas.

Perguntas frequentes

Entrópio pode voltar depois da cirurgia?
Pode, especialmente quando tratado só com pontos de Quickert isoladamente. Técnicas que corrigem diretamente o mecanismo de base (reinserção de retratores, tira tarsal) tendem a ter recorrência menor no longo prazo.

Entrópio espástico sempre precisa de cirurgia?
Não necessariamente — se ligado a uma irritação ocular aguda, pode resolver quando a causa de base é tratada. A avaliação oftalmológica é o que define isso caso a caso.

Entrópio e ectrópio podem acontecer na mesma pessoa?
Não ao mesmo tempo, na mesma pálpebra — mas é possível ter entrópio em um olho e ectrópio em outro, ou em pálpebras diferentes, já que ambos compartilham fatores de risco ligados ao envelhecimento dos tecidos.

Colírio resolve o entrópio?
Lubrificantes aliviam o sintoma e protegem a córnea temporariamente, mas não corrigem a posição da pálpebra — servem como suporte até o tratamento definitivo.

Quando procurar um especialista

  • Sensação persistente de corpo estranho no olho
  • Pálpebra inferior visivelmente virada para dentro
  • Vermelhidão, lacrimejamento ou dor que não melhora
  • Qualquer sintoma que piora progressivamente

Sobre a especialista

Este conteúdo foi escrito pela Dra. Marina Conti (CRM-SP 168967, RQE 84764), oftalmologista com Residência em Oftalmologia e Fellowship em Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbita pela UNIFESP – Escola Paulista de Medicina. Atende em oculoplástica na Clínica La Vue, nos Jardins, São Paulo.

Saiba mais sobre a cirurgia de correção de entrópio com a Dra. Marina Conti.

Fontes e leitura adicional

Sobre Autor

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Meu nome é Marina Conti, sou médica oftalmologista especializada em Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbita.

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