Calázio: Causas, Tratamento e Quando Operar

O calázio é um nódulo que se forma na pálpebra quando uma glândula produtora de gordura (glândula de meibômio ou glândula de Zeis) entope e sua secreção fica retida. É extremamente comum, benigno na grande maioria dos casos, e muitas vezes resolve sozinho — mas alguns casos precisam de tratamento ativo.
Calázio ou terçol: qual a diferença
Os dois são frequentemente confundidos. O terçol (hordéolo) é uma infecção aguda, geralmente dolorosa e avermelhada, de início rápido. O calázio costuma vir depois de um hordéolo que não resolveu completamente, e é um processo inflamatório crônico — geralmente indolor, sente-se como um nódulo firme sob a pele da pálpebra, sem os sinais agudos de infecção.
Por que o calázio aparece
Ocorre com qualquer idade, sem preferência por sexo, e é mais comum em quem tem blefarite crônica (inflamação da margem palpebral) ou rosácea ocular. O bloqueio da glândula retém a secreção lipídica, que provoca uma reação inflamatória local e forma o nódulo característico.
Sintomas mais comuns
- Nódulo firme e geralmente indolor na pálpebra, que cresce ao longo de dias a semanas
- Leve vermelhidão ou sensibilidade ao toque no início
- Em casos grandes: sensação de peso na pálpebra e, ocasionalmente, visão borrada por pressão sobre a córnea
- Se houver infecção secundária: dor, vermelhidão intensa e inchaço mais agudo
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico costuma ser clínico, pelo exame da pálpebra. Um ponto importante: um calázio que recidiva sempre no mesmo lugar, ou que vem acompanhado de perda de cílios na região, merece avaliação mais cuidadosa — em casos raros, esse padrão pode mascarar um carcinoma de glândula sebácea, e não um calázio benigno recorrente. Por isso, casos atípicos ou muito recorrentes podem exigir biópsia.
Tratamento: da conduta conservadora à cirurgia
Primeira linha: compressas mornas
A maioria dos calázios resolve em algumas semanas apenas com compressas mornas várias vezes ao dia, associadas à limpeza da margem palpebral. É a conduta inicial recomendada antes de qualquer intervenção.
Injeção de corticoide (triancinolona)
Para calázios persistentes, a injeção de corticoide diretamente na lesão é uma opção eficaz, com bons índices de resolução relatados na literatura. Pode ser necessária uma segunda aplicação em lesões maiores. Os riscos incluem, raramente, despigmentação da pele no local e atrofia de gordura subcutânea.
Cirurgia (incisão e curetagem)
Reservada para calázios que não respondem às medidas anteriores. É feita em consultório, com anestesia local: a pálpebra é everso com uma pinça específica, o conteúdo do calázio é drenado por dentro da pálpebra — o que evita cicatriz visível por fora — e o material pode ser enviado para análise quando há qualquer suspeita atípica.
Recuperação após a drenagem cirúrgica
Desconforto leve e inchaço nos primeiros dias são esperados, controlados com compressas frias e analgésicos comuns. A inflamação residual pode levar algumas semanas para desaparecer completamente, mesmo com a lesão já drenada.
Perguntas frequentes
Calázio pode virar câncer?
O calázio em si é benigno. Mas um nódulo que sempre volta exatamente no mesmo lugar, ou que vem com perda de cílios na região, deve ser avaliado com mais cuidado — em casos raros, pode imitar a aparência de um tumor de glândula sebácea. Por isso a recorrência atípica não deve ser ignorada.
Espremer o calázio em casa ajuda?
Não é recomendado. Pode piorar a inflamação, introduzir infecção ou causar dano à pele fina da pálpebra. Compressas mornas são seguras; manipulação direta não.
Quanto tempo até o calázio sumir sozinho?
Muitos resolvem em algumas semanas com compressas mornas. Se não houver melhora nesse período, vale procurar avaliação para considerar injeção ou drenagem.
A cirurgia de calázio deixa cicatriz?
Na técnica padrão, a incisão é feita por dentro da pálpebra (pelo lado da conjuntiva), então não há cicatriz visível por fora.
Quando procurar um especialista
- Nódulo que não melhora após 2 a 3 semanas de compressas mornas
- Calázio que recidiva sempre no mesmo local
- Sinais de infecção aguda (dor intensa, vermelhidão, inchaço rápido)
- Qualquer nódulo palpebral associado a perda de cílios na região
Sobre a especialista
Este conteúdo foi escrito pela Dra. Marina Conti (CRM-SP 168967, RQE 84764), oftalmologista com Residência em Oftalmologia e Fellowship em Plástica Ocular, Vias Lacrimais e Órbita pela UNIFESP – Escola Paulista de Medicina. Atende em oculoplástica na Clínica La Vue, nos Jardins, São Paulo.
Saiba mais sobre o tratamento de calázio com a Dra. Marina Conti.
Fontes e leitura adicional
- American Academy of Ophthalmology — EyeWiki: Chalazion
- American Academy of Ophthalmology — Chalazion Management: Evidence and Questions
- “Chalazion Treatment: A Concise Review of Clinical Trials” — PubMed


